"Entre dois bens, procuremos com a Razão o bem maior"(Spinoza)
De início era a "Pólis" grega pregando a convivência pacífica entre os homens. Mas a brutalidade humana, ou a barbárie, sobrepujava seus traços de sociabilidade. Depois, com as majestosas catedrais erigidas na Era Medieval, outra tentativa de incentivar positivamente as relações humanas foi através da fé, que almejava fazer de todos os homens irmãos.
A "deusa Fortuna" pediu e o "deus Chronos", senhor das horas, atendeu-a: fez a terra continuar girando ...
E chegou a Renascença e, com ela, o surgimento da TÉCNICA. Eis aqui as luzes de uma nova sociedade, ou o nascimento de uma CIVILIZAÇÃO TÉCNICA, trazendo no seu bojo NÃO mais o "Homo faber" primitivo, artesanal, que praticava o escambo como estratégia mercantilista, mas um "Homo sapiens" mais habilidoso, o qual, conforme no-lo ensina o filósofo Thomas Hobbes (1588-1679), insiste em "transformar a Natureza em conceitos científicos, com o intuito de dominá-la".
As técnicas se desenvolvem numa velocidade estonteante, e a sua concretude, digamos assim, é a MÁQUINA, o "hardware", parte dura e insensível, e o seu "software" - a "alma" da máquina (sem isto qualquer máquina é imprestável). Neste particular é que reside o grave perigo nos dias em que vivemos: a técnica formatada em máquina ("corpo") e o seu respectivo "software"( "inteligência" ) desenvolvido pela TECNOLOGIA (Conhecimento humano) serem vistos como sendo a "SOLUÇÃO" de todos os problemas empresariais e dos problemas humanos em geral.
Nesta nossa era povoada de máquinas, parece que estamos desaprendendo de nos abraçarmos. Ora, não faz muito tempo, um gajo, em plena rua movimentada de Nova York, apareceu portando uma placa onde se lia: "A hug. It's free!" ("Um abraço: é grátis!") ...
Essa história de achar que a máquina "pode tudo" não é de hoje. Frederick Winslow Taylor(1856-1915), o "Pai da Teoria Mecanicista", costumava andar pelas fábricas com um cronômetro na mão e uma "chibata verbal" fustigando os operários para que eles produzissem mais e mais, não dando a mínima para as necessidades emocionais dos trabalhadores.
Tragédia maior, no entanto, é constatarmos que algumas escolas nos dias de hoje (de todos os níveis), que por princípio deveriam ser núcleos de excelência em educação, têm feito o quê?:
. Compram modernos computadores, mas NÃO investem em pesquisas científicas.
. Repassam "bits cavalares" de informações a seus alunos, mas se descuidam da efetiva
aprendizagem deles.
. Fazem "up-grades" de suas máquinas, dotando-as de "softwares" cada vez mais rápidos,
porém vários de seus alunos continuam "NAUFRAGANDO" na Internet.
. Fomentam a comunicação multimeios, mas as pessoas não conversam mais entre elas, olho
no olho.
A técnica não pode jamais prescindir de uma PRÉ-AÇÃO humana, que é o PENSAR COM LOGICIDADE (mas sem excluir o traço de humanidade desse pensar), pois somente assim teremos uma TECNOLOGIA SUSTENTÁVEL . Tecnologia que descarta o homem NÃO é progresso: é perversidade.
Todo o cuidado é pouco, caso contrário, em breve, uma máquina estrambólica poderá proferir a seguinte máxima: "EU, ROBÔ; VOCÊS, PERFEITOS IDIOTAS!" ...
. Luiz Oliveira Rios é especializado em desenvolvimento de RH e Consultor de empresas. E-mail: oliveira.rios@hotmail.com
Fonte: Luiz Oliveira Rios
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