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A SUSTENTÁVEL LEVEZA DE UM SER

Com ou sem botox? Super maquiada ou de rosto lavado? Usando roupas estilosas ou despojadas? Silhueta mais cheinha ou mais magra? Talvez seja melhor dizer: "simplesmente mulher". Solteira, casada, viúva, mãe, avó ou bisavó, executiva ou, como se dizia no tempo em que D. Pedro I sequer barba ostentava, "prendas domésticas".
 
Não importa. O que importa é que toda mulher, culta ou iletrada, trabalhadora externa ou em domicílio; o que importa é que toda mulher é prendada, ou, melhor dizendo, ela é dotada de um conjunto de atributos - sendo que muitos desses atributos ainda requerem uma melhor valorização por parte da sociedade atual.
 
Alguns veículos da mídia, infelizmente, insistem em apresentar as mulheres dentro do que eu denomino da "Síndrome do triplo B", a saber: bundudas, bocudas e burras. Estão aí os programetes infames de humor, os "grandes irmãos e irmãs" expostos em vitrinas midiáticas deploráveis, os comerciais de cervejas e algumas novelas que tratam a mulher como um ser-objeto descartável.
 
O descalabro maior é que a sociedade vê como violência contra a mulher tão somente as agressões físicas, geralmente levadas a cabo no núcleo doméstico de famílias disfuncionais, não raro por causa do vício do alcoolismo (o lado nada glamuroso dos comerciais cervejeiros e das letras de pífias músicas de pseudos cantores sertanejos que repetem o bordão "beber, beber, beber" ad nauseam), mas não se manifesta com veemência contra as demais formas de violência contra a figura da mulher enquanto SER.
 
Não é mais possível manter o silêncio diante, por exemplo, da ditadura da moda que insiste em alardear que  somente a magreza extrema é sinônimo de beleza, que somente determinado produto cosmético é capaz de "não deixar" a mulher envelhecer, como se o envelhecimento natural "enfeiasse" a mulher; quando, na verdade, o que ocorre é exatamente o contrário: o rejuvenescimento plástico, cosmeticoso,  é o que viola a beleza natural da mulher em cada fase da sua vida.
 
O artificialismo estético apregoado como um "must" para as mulheres ditas "modernas", reforçado pelo uso quase criminoso dos recursos do photoshop, parece que tem gerado um sem-número de mulheres à beira de um ataque de nervos numa busca insana pela "fonte da juventude".
 
Muitas dessas mulheres, escravas das falsas promessas de um "corpo perfeito", se desconectam de si mesmas e não mais percebem outras formas de beleza inerentes ao SER, e especificamente ao SER FEMININO,  além de corpões sarados, abrindo assim  mão de se autodesenvolver por completo, encontrando, por conseguinte, um ponto de equilíbrio físico, mental  e espiritual.  
 
Olhar a mulher de maneira superficial parece que tem sido uma constante nesses dias plúmbeos em que vivemos. Um dos casos mais emblemáticos é o recente episódio da primeira dama americana, Michelle Obama, quando, convidada para a cerimônia do Oscar, os comentários sobre seu penteado, suas vestes e seus adereços obnubilaram o conteúdo do filme (Argo) ganhador da premiação.
 
Aliás, em relação a Michelle Obama, tem sido assim desde que seu esposo Barack foi eleito Presidente dos EUA: os olhos do mundo se voltam para as vestes, penteados  e os adornos da bela Michelle, com ínfimo ou nenhum destaque para seu perfil humano, sua formação e carreira profissional  - os desafios que ela precisou enfrentar como mulher - e mulher negra numa terra onde o preconceito contra a cor da pele motivou uma guerra sangrenta entre irmãos.   
 
Em plena segunda década do terceiro milênio, sendo o dia 8 de março consagrado como o "Dia Internacional da Mulher", é preciso muito mais do que uma data magna para que, de fato, as mulheres possam comemorar, digamos, sua real independência. É claro que, com exceção de cantões governados por ditadores loucos ou fanatizados por dogmas religiosos (o que, no fundo, é a mesma coisa),  já houve um avanço no reconhecimento de importância da mulher sem o estereótipo de "boa mãe", mas como alguém capaz de exercer qualquer atividade profissional com maestria.
 
Ainda bem, pois a mulher bem resolvida tem mostrado a todos seus predicados afirmativos pessoais, profissionais e empresariais sem concessões a apelos fáceis da erotização assaz vulgar - senão pornográfica - dos dias de hoje, posto que, sendo feminina, naturalmente feminina, tudo nela seduz de forma natural e, por que não dizer? - de forma sagrada.
 
Um brinde, pois,  às mulheres nesta data consagrada a elas!    
 
E-mail: oliveira.rios@hotmail.com      

Fonte: Luiz Oliveira Rios


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