iArtigos - Visualizando artigo

DECLÍNIO E QUEDA DE UMA EMPRESA CENTENÁRIA

No mundo em  geral e no Brasil em particular, o segmento de cosméticos está entre aqueles que mais crescem.
 
Em outras palavras, utilizando uma linguagem modernosa, as vendas "bombam", inclusive junto ao nicho masculino, pois os homens estão consumindo cada vez mais produtos de beleza.
 
Como explicar, então, que uma empresa centenária, de marca reconhecida globalmente, como a AVON, se encontre em situação desesperadora, vendas em declínio acentuado, a ponto dessa conceituada empresa  vir a correr sérios riscos de sair do mercado, depois de um século de existência - e, paradoxalmente, atuando num ramo de negócios em franca expansão? 
 
São várias as causas que têm contribuído para os graves problemas ora enfrentados pela AVON, levando consumidores e revendedoras - outrora super fiéis - a desistirem da marca.
 
Dentre esses motivos, segundo os especialistas em gestão empresarial têm apontado, estão os seguintes:
 
- Confiança cega na tradição.
 
Por já estar no mercado há um século e ter sua marca consolidada no mercado global, a Avon julgou que apenas isto seria suficiente para se manter viva no mercado. Não inovou, quase não criou novos produtos, descuidou-se fatalmente no atendimento de seus clientes e da sua rede de revendedoras, muitas vezes querendo impor condições leoninas (só a empresa queria ganhar), esquecendo-se de que novas empresas, com novas propostas, novos ganhos para sua equipe de colaboradores (desde que comprovem produtividade), chagavam ao mercado como outra "pegada" mais compatível com a modernidade.
 
- Mais do mesmo.
 
Enquanto as estratégias de marketing, logística, gestão de custos, liderança de equipes multidisciplinares,  administração financeira e lançamentos de novos produtos sofriam mudanças vertiginosas, especialmente entre 2007 e 20012, a Avon continuava a ter, como se diz, "mais do mesmo".
 
- Arrogância gerencial.
 
O pessoal que dirigia a Avon, muitos deles vindos de outras grandes empresas, julgava que o modelo deles é que era o correto, deixando de lado "pequenos detalhes", como a importância de dar atenção à sua rede de revendedoras, que suava o rosto para fechar vendas porta a porta - e, não raro, a Avon atrasava as entregas, mandava os pedidos incompletos, sempre com justificativas bizarras. A empresa não abria diálogo franco com seus colaboradores. Os desgastes iam num crescendo.     
  
- Acomodação.
 
Como, historicamente, a empresa possuia um lastro de boas vendas, seu corpo dirigente atribuia a queda de negócios a crises externas, achando que isto seria algo cíclico, portanto passageiro, e logo as vendas voltariam aos bons patamares anteriores; no entanto, a empresa estava vivendo a "síndrome do sapo fervido", ou seja, como o sapo dessa fábula antiga não percebia que a água a cada dia esquentava um pouco mais, e mais, e mais,  ele ficava quietinho no seu canto, até que um dia a água ferveu de vez e matou o sapo acomodado.
 
Comparativamente falando, a Avon não percebeu (ou percebeu mas "nem deu bola") a chegada de novas empresas dentro do seu próprio ramo de mercado (no Brasil, entre outras, existem Natura (público-alvo de maior poder aquisitivo) e a Jequiti, mesmo nicho da Avon, inclusive no seu modelo de vendas), e foi deixando essas e outras empresas irem "roubando" seus clientes a ponto de, hoje, início do primeiro trimestre de 2013, analisando os números de 2012, o baixo volume de vendas ter se mostrado devastador.
 
- Procrastinação.
 
Procrastinar, traduzido numa linguagem popularesca, é o tradicional jargão "empurrar com a barriga". A Avon, em vez de tomar decisões estratégicas e gerenciais duras, mas necessárias, principalmente tirando do seu quadro de pessoal aqueles que provaram por "a + b" que não "vestiam a camisa da empresa", foi levando, tentando contemporizar, confiando exageradamente no peso da sua marca, até chegar a esse beco aparentemente sem saída da atualidade.        

A bela história da Avon, repleta de feitos memoráveis, agora é ferida de morte por causa de descuidos homéricos no seu modelo de gestão.

 

Como tudo muda, e cada vez mais as mudanças tomam uma velocidade alucinante, a Avon NÃO mudou. Infelizmente, em vários segmentos empresariais, percebe-se que alguns diirigentes de empresas, gerentes e quadro de funcionários resistem o quanto podem a aderir às mudanças que diariamente batem à porta, esquecendo-se de uma verdade universal: tudo o que não muda MORRE!  

 

Tempo no mercado, como estamos vendo, NÃO é nenhuma garantia de que, nos atuais cenários, uma empresa possa sagrar-se vitoriosa.

 

Atualizar-se diariamente é, pois, um imperativo a corroborar com o sucesso. Quando uma empresa alia sua tradição com a coragem de assumir e implementar as mudanças necessárias, tendo no seu quadro de recursos humanos pessoal também comprometido em crescer pessoal e profissionalmente, as chances de êxito são elevadas à enéssima potência.

 

Por mais trabalho que dê, por mais desconforto que gere, a única certeza que se tem nessa vida, seja no âmbito empresarial ou pessoal, É A CERTEZA DAS MUDANÇAS. Se viver é preciso, mudar é sempre um imperativo.

. E-mail: oliveira.rios@hotmail.com

Fonte: Luiz Oliveira Rios - Pesquisador de Filosofia e Consultor de Empresas


Compartilhar

Todos os direitos reservados ao(s) autor(es) do artigo.