Ninguém discute que as engrenagens de uma máquina exigem periódicas lubrificações para que tenham uma vida útil mais longa e produtiva.
Quanto ao seu automóvel, por exemplo, se você não trocar o óleo, conforme as especificações do fabricante, o motor logo fundirá por conta do atrito "a seco" entre as peças e também devido às altas temperaturas ali registradas.
Guardadas as devidas proporções, conviver no dia a dia com o outro, seja no lar e no trabalho, também gera muitos atritos e de vez em quando "temperatura elevada" nas emoções entre as partes envolvidas.
Em outras palavras, as relações humanas diárias, quando comparadas a engrenagens, necessitam de "lubrificação" para sua fluição suave e prazerosa entre as partes.
O problema é que muitas pessoas, no lar e no trabalho, conscientes ou inconscientementes, adotam o "estilo brucutu" e mandam às favas a sensibilidade e o bom tom nas relações interpessoais. Temos então criada aqui uma pequena filial do inferno ...
Tudo para essas pessoas acaba sendo motivo para grosserias diretas, casmurrices (mau humor constante) ou ironias ferinas disfarçadas de brincadeiras "inocentes".
O gerar atrito, em si mesmo, não é o problema - até porque é impossível qualquer convivência sem atritos -, mas o grave problema está em COMO e no POR QUÊ esses atritos são gerados - em várias situações por meros caprichos de alguém, sem um motivo real para a implicância.
Como prevenir é sempre mais barato do que remediar, eis a seguir um conjunto de princípios que, quando observados e aplicados na prática, contribuirão para melhorar as relações humanas e na construção de ambientes de trabalho agradáveis e produtivos.
1 Respeitar o espaço do outro:
No contexto de uma empresa, onde mesas, cadeiras, telefones e equipamentos em geral precisam ser compartilhados, ainda assim é de bom tom o colega pedir permissão para fazer uso de um "ferramental" que "a" ou "b" vem se utilizando no dia a dia. Não se pode esquecer de que uma tendência natural de todos nós é achar que temos a "posse" de um equipamento da empresa e, assim, nos "sentirmos ofendidos" se um colega "invade o nosso espaço". Por isto, boa educação cabe bem em qualquer circunstância.
2 Respeitar a intimidade do outro:
Cada indivíduo possui o seu "quadrado pessoal" que é somente seu. Por isto não quer ou não deve compartilhar seus sentimentos mais íntimos com terceiros. E os amigos verdadeiros respeitam esse direito de a pessoa ficar em silêncio, ou seja, não expressar em palavras o que não se sentiria bem em verbalizar. Evite fazer perguntas cujas respostas podem não ser da sua conta. Se a pessoa quiser lhe contar algo mais íntimo, ouça com respeito e sempre se lembre de que ela está compartilhando com você e NÃO com outro alguém que você conhece - logo, guarde o que você ouviu somente para você.
3 Respeitar a opinião alheia:
Toda pessoa tem o direito de possuir sua própria opinião, mesmo que seja diferente das demais pessoas. Só não tem o direito de, através de "opinião própria", difamar alguém (isto não é opinião: é intriga ou calúnia - e calúnia é crime), assim como ninguém tem o direito de querer impor sua opinião aos outros. Por isto é sempre bom uma dose extra de cuidado: se alguém começar a dizer algo a você, avalie se isto é de fato uma opinião adequada ou essa pessoa apenas está emitindo um juízo de valor sobre alguém - se for isto, sequer deixe a pessoa continuar. Não compactue com maledicências.
4 Respeitar a diversidade:
De credos religiosos ou de não-crença em nada, de nacionalidades, de gostos pessoais, de escolhas profissionais, de grau cultural e escolar, de preferências político-partidárias ou futebolísticas, de idades, opções sexuais; enfim, cada pessoa é em si mesma um microcosmo e é por isto que, sob o regime da democracia, todos têm o direito de existir e de se expressar como seres humanos e como cidadãos inseridos na Pólis (Cidade).
5 Respeitar o "timing" do outro:
Cada pessoa possui um ritmo próprio. Alguns são mais lentos; outros, super dinâmicos. E, no âmbito de uma empresa, identificar o perfil de cada colaborador, começando pelo processo de seleção de pessoal, avaliando a compatibilidade do candidato ou do atual empregado com as funções que o cargo exige, é condição essencial para potencializar acertos na gestão de pessoas com foco na produtividade. No entanto, se a pessoa estiver sem "timing" por uma questão de negligência ou por má vontade, provavelmente a melhor opção venha a ser o seu desligamento da empresa, respeitando-se a legislação trabalhista em vigor.
Se viver é preciso, viver em paz com o próximo, seja no lar ou no trabalho, é a plataforma sobre a qual se constrói o conjunto dos alicerces que sustentarão a qualidade de vida no dia a dia.
Fonte: Luiz Oliveira Rios - Pesquisador de Filosofia e Consultor de Empresas
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